Terceira Plataforma de TI: a evolução da Tecnologia nas empresas

No início de 2016, a consultoria IDC anunciou que aquele seria um ano em que as empresas da América Latina entrariam em um modo mais amplo e profundo de adoção de tecnologias da Terceira Plataforma de TI. A previsão era de investimentos em torno de US$ 139 bilhões em produtos e serviços que ajudariam a colocar a região de vez na chamada “era da transformação digital”.

E assim foi. No Brasil, responsável por 45% da movimentação tecnológica latino-americana, apesar da crise, o setor de TI foi um dos únicos que encerrou o ano com saldo positivo — alta de 3%, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes).

No entanto, espere! Você sabe o que é exatamente a terceira plataforma de TI? De que modo a delimitação desse período influencia na forma como vemos a tecnologia da informação hoje? Quais são os impactos e que benefícios a terceira plataforma oferece ao mundo corporativo?

É sobre tudo isso que vamos conversar neste artigo. Você verá aqui que a evolução tecnológica teve, até agora, uma lógica de avanços bem demarcada a cada 25 anos. Entenderá o que nos fez chegar até aqui e como vamos seguir avançando — sobretudo, as empresas que fizerem bom uso das ferramentas e serviços da terceira plataforma.

Para começo de conversa, o melhor a fazer é entender como se convencionou dividir os períodos da história da TI em plataformas. Acompanhe a seguir!

A evolução das Plataformas de TI

Pois bem, a IDC, que é uma das mais respeitadas consultorias de tecnologia do mundo, dividiu a história da TI em três grandes períodos e os chamou de “As Três Plataformas de TI”. Assim, conseguiu explicar o momento de transformação digital que estamos vivendo hoje.

De uma forma prática, esta é a evolução das três plataformas:

Primeira plataforma: início dos anos 1960 a meados de 1980

De acordo com os pesquisadores, a primeira plataforma de TI teve início na década de 1960 e é representada pelos mainframes, quando ainda só se falava em computação e não na TI que conhecemos hoje.

Os mainframes eram enormes máquinas utilizadas por grandes corporações (bancos, multinacionais) ou em bureaus que atendiam a diversas empresas para processar dados sob demanda (sobretudo, para fazer a contabilidade).

Em suma, a primeira plataforma foi um período de mais ou menos 25 anos marcado por poucas máquinas, poucos usuários e poucas aplicações. A computação dessa época era destinada a grandes players do mercado e a governos.

Segunda plataforma: 1986 até o início da década de 2010

Por volta de 1986, o computador pessoal (PC), que havia sido criado alguns anos antes, passa a ser amplamente utilizado no meio corporativo e também doméstico. Começa ali a segunda plataforma de TI. Os primeiros passos para a democratização da tecnologia da informação são dados.

Foi a partir dos PCs que nasceram as redes de computadores, o conceito de cliente-servidor e também uma das maiores invenções do mundo moderno: a rede mundial de computadores a internet.

A segunda plataforma também vigorou por mais ou menos 25 anos. Já no século XXI, mais especificamente a partir da segunda década (2011), entramos na terceira plataforma que, de acordo com os especialistas, vigora ainda hoje. Entenda no próximo tópico!

Terceira Plataforma de TI: sua empresa já se beneficia dessa tendência?

Finalmente, a terceira plataforma de TI, que é a que vivemos hoje, tem início a partir de 2011. Na terceira plataforma, a web assume um papel ainda mais importante, com um rápido movimento para a virtualização de tudo.

Da infraestrutura até a aquisição e utilização de softwares como serviço (SaaS), passando por capacidade de análise de volumes exponenciais de dados gerados nas empresas, pelas pessoas comuns (via redes sociais, por exemplo), até chegar em Internet das Coisas, computação cognitiva, realidade aumentada entre outras inovações tecnológicas consideradas disruptivas.

Os milhões de aplicações e serviços disponíveis hoje são amparados por quatro forças: cloud computing (computação em nuvem), mobile (mobilidade), social business (negócios sociais) e big data (ferramentas e serviços para lidar com o boom de dados que não para de crescer).

Olhando por outro ângulo, também podemos afirmar que a evolução da terceira plataforma levou as empresas desenvolvedoras de hardwares e softwares, bem como as prestadoras de serviços de TI, a ajustar seus modelos de negócios para se alinhar mais estreitamente às necessidades e exigências dos consumidores.

Isso contrasta com os dois períodos anteriores, nos quais o desenvolvimento e a inovação se concentravam primeiro nas necessidades das empresas e não nos seus usuários.

Na continuação, você verá com mais detalhes como a terceira plataforma tem ajudado a transformar empresas ao redor do mundo. Assim, poderá refletir sobre como o seu negócio tem aproveitado as vantagens que ela oferece. Continue lendo!

O que a Terceira Plataforma de TI pode fazer pela sua empresa?

No mundo corporativo, sempre na dianteira das transformações tecnológicas, a terceira plataforma de TI representa a convergência dessas forças, o que possibilita uma arquitetura realmente transformadora.

Veja, a seguir, duas maneiras de se perceber a influência da terceira plataforma no mundo empresarial:

Transformação da experiência do usuário: aplicações e comportamentos centrados na mobilidade

Nunca antes na história da TI as expectativas do usuário final sobre as aplicações foi tão levada a sério. Apps mobile e “social-habilitados” nos quais as informações podem ser facilmente criadas, armazenadas, compartilhadas e sincronizadas por meio da nuvem hoje fazem parte dos maiores investimentos das empresas e, consequentemente, são o foco da indústria desenvolvedora.

Gestores de TI passaram a abraçar estratégias de trabalho centradas nos colaboradores e a aproveitar fenômenos comportamentais como o BYOD (“traga seus próprios dispositivos e suas próprias aplicações”), elevando a experiência do usuário a um patamar mais vantajoso para os negócios.

Nesse contexto, tecnologias de controle por gestos, linguagem natural e capacidade de comando de voz passam a assumir um papel importante. E isso, além de elevar a experiência do usuário, beneficia as empresas com ganho de produtividade e competitividade em um mercado que sofre constantes transformações.   

Potencialização de Data Centers e ganho de Segurança da Informação

O processo de transformação que vivemos na terceira plataforma de TI tem seu ponto alto no data center. Com o poder de escalabilidade e acesso rápido a novos recursos trazido pela computação em nuvem, as organizações agora conseguem disponibilizar informações em diversos canais.

Ao mesmo tempo, os processos podem ser automatizados e os custos são significativamente reduzidos. As demais forças que compõem a terceira plataforma (sobretudo, big data e mobilidade), ajudam os centros de dados a romper gradualmente as tradicionais limitações que as empresas têm em suas infraestruturas de TI.

Assim, elas ganham capacidade de processamento, armazenamento e gerenciamento de TI para alcançar seus objetivos e suprir suas necessidades em tempo hábil e da melhor forma possível.

A combinação de tecnologias de virtualização, automação e nuvem em uma arquitetura flexível, conhecida como data center definido por software (SDDC, Software-Defined Data Center), também é um ganho trazido pela terceira plataforma de TI.

Virtualizar os recursos de TI, além de ajudar a reduzir custos dos data centers e gerar maior eficiência e desempenho da infraestrutura, também eleva a segurança da informação — tema muito preocupante, pois a chamada “indústria hacker” avança com a mesma voracidade que as inovações em soluções e serviços de TI.

Com a virtualização, o cenário tradicional (servidores, redes, desktop, etc. sendo tratados internamente) deixa de existir. Passa a vigorar uma abordagem mais moderna e eficiente. Logo, os riscos são mitigados e os dados passam a ser menos sujeitos a roubos e danos.

Em outras palavras, as informações corporativas ganham camadas mais robustas de proteção e são mais facilmente recuperadas em casos de problemas intencionais ou acidentais.   

A automação da gestão de data center também facilita o trabalho das equipes, traz mais segurança e diminui os custos. Tudo isso gera mais agilidade e competitividade para as empresas. Vamos entrar mais a fundo nas principais forças que compõem a terceira plataforma? Leia a seguir!

Principais ferramentas da Terceira Plataforma de TI

Na prática, como as ferramentas da terceira plataforma de TI agrega valor às empresas? Essa é uma pergunta lógica e que merece uma resposta detalhada. Por isso, apresentamos, abaixo, uma explicação mais aprofundada dos benefícios de cada uma das forças que compõem o período tecnológico que vivemos.  

Cloud Computing: a democratização da tecnologia  

A cloud computing (computação em nuvem), modelo de utilidade no qual é possível hospedar dados, processos e aplicações na infraestrutura de TI de um provedor (um fornecedor de serviços de nuvem), definitivamente mudou a forma com que as empresas utilizam recursos tecnológicos.

Tanto que, de acordo com um estudo feito pela 451 Research, essa tecnologia deve ser a responsável pelo maior montante de investimentos corporativos ao redor do mundo em 2017. Cerca de 34% dos orçamentos de TI devem ser destinados a serviços de hospedagem e infraestrutura na nuvem.

Entre os benefícios que a cloud computing traz, destacam-se:

  • Escalabilidade: a facilidade de adquirir recursos a qualquer momento, conforme o aumento da demanda, sem a necessidade de passar por períodos longos e traumáticos de implementação;

  • Mobilidade: utilização dos recursos de forma remota, em qualquer hora e lugar onde haja conexão com a internet;

  • Redução de custos: utilização dos recursos como serviço, ou seja, em forma de uma assinatura na qual as empresas pagam apenas pelo que usam e pelo período em que utilizarem;

  • Segurança: os provedores se preocupam com as práticas e as ferramentas para manter os dados sempre confiáveis, íntegros e disponíveis;

Essas vantagens trazem às empresas um ganho significativo na gestão dos negócios, uma vez que é possível competir de igual para igual com grandes empresas sem fazer grandes investimentos. Elas também explicam porque, conforme previsão da consultoria Frost & Sullivan, até o final de 2017, a computação em nuvem deve movimentar mais de US$ 1,1 no Brasil.

Mobile: o aumento dos canais aliado ao poder de locomoção dos usuários

A tecnologia mobile, intimamente ligada à cloud computing, diz respeito à portabilidade de dispositivos e aplicações. Ela também segue em franca expansão no Brasil e no mundo. É a responsável pelo aumento exponencial de equipamentos conectados (smartphones, tablets, notebooks, drones, etc.) e, de acordo com a IDC, vem beneficiando cada vez mais as estratégias empresariais.

“A mobilidade até agora se centrou nas pessoas e nos dispositivos. O próximo passo será alinhar os processos organizacionais (marketing, serviços de atendimento ao cliente, suporte técnico, etc.) e o ecossistema da indústria (provedores, clientes, reguladores…) com os benefícios que ela oferece”, afirmou a consultoria.

Para os pesquisadores, 34% das empresas da América Latina trabalharam em 2016 para alinhar seus esforços tecnológicos com soluções e serviços móveis.

Estes são os principais benefícios da tecnologia mobile para as empresas:

  • Melhorias na comunicação: de posse de dispositivos e aplicativos, colaboradores podem colaborar e se comunicar com mais rapidez e eficiência onde quer que estejam;

  • Eficiência no atendimento ao cliente: mais canais para que os consumidores possam se comunicar com as marcas, o que eleva o relacionamento e aumenta a satisfação;

  • Potencialização de vendas: equipes remotas melhor equipadas para vender mais e com mais rapidez;

  • Integração: departamentos, filiais, unidades de negócios, parceiros… Com a tecnologia móvel, é possível integrar melhor as equipes para que os resultados sejam atingidos com mais rapidez e menor custo.

Essas vantagens justificam porque 93% dos gestores de TI brasileiros têm a intenção de investir em mobilidade ao longo de 2017, conforme o estudo IT Leaders, realizado pelo portal Computerworld.

Big Data: controle total dos dados e poder para transformá-los em informações úteis

Até 2020, ferramentas e serviços baseados no conceito de Big Data devem movimentar 72 bilhões de dólares ao redor do mundo, de acordo com a consultoria SNS Research.

Essa impressionante cifra representa um dos maiores fenômenos entre as quatro forças da terceira plataforma de TI. Ele, que em suma representa o conjunto de ferramentas e serviços destinado a lidar com o volume de dados estruturados e não estruturados que não para de crescer, oferece às empresas um poder analítico nunca visto na história.

Dentre as formas mais vantajosas de usar o conceito de Big Data no mundo corporativo, destacam-se:

  • Conhecer melhor os consumidores: coletar dados dos mais variados canais e cruzá-los para encontrar padrões de comportamento, entender anseios e até descobrir necessidades; gerar ofertas mais personalizadas a partir das informações descobertas;

  • Planejar o futuro do negócio com mais precisão: cruzar dados de históricos e também de previsões por meio de ferramentas como BI (e outras) para fazer planos a médio e longo prazo e tomar decisões mais assertivas acerca dos rumos do negócio.

  • Monitorar a concorrência com mais assertividade: mapear a concorrência a partir de ferramentas de metadados, cruzando informações dos mais variados canais, analisando históricos, etc;

  • Gerir melhor a estratégia empresarial: com mais poder de organização e análise de dados, é possível ganhar mais precisão na gestão empresarial, torná-la ainda mais estratégica (deixar de gerir com forte amparo na intuição).

De olho nessas vantagens, empresas do mundo todo estão intensificando seus investimentos em Big Data. A previsão da IDC é que, até o final de 2019, soluções de análises de dados devam movimentar \US$ 187 bilhões ao redor do mundo.

Social Business: colaboração e gestão do conhecimento corporativo

Já o Social Business (negócios sociais) compreende todas as ferramentas (apps, sobretudo) com características de rede social utilizadas na gestão empresarial. Elas estão ligadas à cultura estabelecida a partir de 2010, quando as mídias sociais passaram a fazer parte da vida da maioria das pessoas ao redor do mundo.

O conceito de Social Business também está fortemente amparado nas premissas de engajamento e colaboração dos ambientes sociais, o que facilita na construção e no compartilhamento de informações que podem ajudar os negócios a serem mais inteligentes.

Empresas desenvolvedoras de softwares de gestão do relacionamento com o mercado (CRM), por exemplo, já fazem uso deste conceito; dão às suas soluções um aspecto mais social. Com isso, as empresas, além de satisfazerem os anseios de seus usuários também conseguem mensurar melhor os resultados a partir de métricas apresentadas em dashboards gráficos e interativos.  

Aqui estão os principais benefícios do Social Business para as empresas:

  • Aumento da produtividade: com mais interação e informação circulando entre os usuários, a colaboração eleva a força produtiva e diminui erros e retrabalhos;

  • Rapidez na execução de projetos: economia de tempo, já que as pessoas não precisam fazer longas reuniões ou gerenciar e-mails dispersos para colaborar e assumir tarefas;

  • Disseminação do conhecimento: por meio de aplicativos ao estilo wiki, o conhecimento gerado pelos colaboradores de uma empresa fica documentado e fácil de ser localizado e utilizado no dia a dia operacional;

  • Melhorias na gestão de documentos: digitalizar, catalogar, pesquisar e encontrar documentos corporativos passa a ser mais fácil e rápido com ferramentas sociais;

  • Diferenciação no atendimento ao consumidor: por meio de fóruns e plataformas interativas, é possível prestar suporte e educar os clientes, o que aumenta a satisfação e reduz custos com atendimento;

  • Aumento da inovação: plataformas colaborativas facilitam a geração de insights e ajudam a fomentar ideias disruptivas, que podem gerar valor ao negócio e criar modelos de negócios.

De acordo com o estudo “The business of Social Business”, feito pela IBM em 2012, 62% dos gestores de TI e negócios naquela época já afirmavam ter planos para aumentar seus investimentos em Social Business.

Conclusão: a Terceira Plataforma de TI merece uma atenção mais especial na sua empresa

Como você viu ao longo deste artigo, a terceira plataforma é um termo cunhado pelo IDC que distingue o ambiente de TI atual ancorado em mobilidade, aplicações e serviços sociais, computação em nuvem e Big Data das eras anteriores da computação.  

Ela corresponde ao período em que estamos vivendo, ainda que agora as transformações aconteçam de uma forma mais constante e dispersa (em diversos micropontos) do que ocorriam antes.

É por isso que gestores de TI e executivos de negócio devem prestar atenção nos vários fenômenos que compõem esse período da computação em nuvem. Conhecer e dominar a terceira plataforma de TI é garantir que as empresas estejam no mesmo ritmo em que o mercado se encontra e, ao mesmo tempo, gerar competitividade e eficiência.

É importante pontuar que as três plataformas descritas pela IDC não se sobrepõem umas às outras. Ou seja, uma não substitui a outra, pois elas se complementam. O melhor a fazer, portanto, é encará-las como uma escala evolutiva.

Afinal, os mainframes (primeira plataforma) assumiram uma nova forma: são os data centers dos provedores de serviços na nuvem (terceira plataforma), e assim por diante.

Outro ponto importante que não deve sair do radar dos profissionais de tecnologia e gestão é que a terceira plataforma proporciona condições para que áreas como marketing, vendas, finanças também se beneficiem da tecnologia de uma forma mais estratégica. É dizer: a TI, para essas áreas de inteligência, deixa de ser apenas um suporte e passa a ser a mediadora dos resultados.

Exemplos? Para gerar campanhas de alcance de marca ou promoção de produtos, o marketing hoje se beneficia de inúmeras aplicações de análise de dados (CRM, BI, Analytics, etc.), que lhe permitem conhecer melhor os públicos de interesse e chegar até eles de uma forma mais dinâmica e inteligente.

Da mesma forma, o comercial consegue integrar melhor suas ações com as estratégias de comunicação, e a área de finanças proporciona aos clientes formas mais atualizadas de pagamentos, por exemplo (apps, sobretudo).

É hora de também começar a prestar atenção ao crescimento de tecnologias máquina a máquina (M2M), Internet das coisas (IoT) e a consumerização da TI, que vem se traduzindo na criação de soluções cada dia mais necessárias para os negócios. O alto poder de automatização e inteligência de equipamentos e softwares está modificando importantes setores da economia, como a indústria manufatureira, o varejo e o agronegócio.

Por fim, está na hora de gestores de negócios e de tecnologia entenderem que a terceira plataforma requer quebra de paradigmas, novos olhares, novas soluções para os tradicionais problemas e desafios.

Como a terceira plataforma de TI é vista na sua empresa? De que forma você está aproveitando as forças que a compõem no seu negócio?

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