Zero Day: saiba mais sobre esse tipo de vulnerabilidade

Muitas são as falhas existentes que podem comprometer a segurança do ambiente e dos usuários e o zero day ou 0day é um desses tipos de vulnerabilidades. Aliás, você já ouviu falar nessa expressão?

 O zero day é um tema recorrente quando o assunto é vulnerabilidades de segurança  e trata-se de brechas descobertas por cibercriminosos ou pesquisadores. As falhas de zero-day, em sua maioria, são comumente encontradas por pesquisadores que são pagos para tal e reportam para que os fabricantes disponibilizem correções. 

Por outro lado, hackers também exploram falhas de softwares, mas com o intuito de usá-las contra usuários desatualizados e esse é um dos maiores problemas que enfrentamos atualmente. 

Esse tipo de vulnerabilidade pode aparecer em qualquer tipo de software, mas os alvos mais atraentes são aqueles populares, amplamente utilizados pelos usuários finais que se cuidam menos em relação à segurança. Quando uma empresa fabricante toma conhecimento da invasão, diz-se que os desenvolvedores têm efetivamente zero dias para corrigir o problema antes que ele se espalhe – independente da forma como tenha sido descoberto. 

Porém, é importante ressaltar que, a partir do momento em que essa falha passa a ser conhecida pelos desenvolvedores e usuários, ela deixa de ser zero day.

“Todo sistema tem falhas (os mais complexos são os mais vulneráveis) sendo impossível fugir das falhas”

– A Arte De Enganar, Kevin Mitnick. 

Como acontece uma falha zero day? 

As vulnerabilidades zero day podem ser explorados por meio de ameaças como vírus, worms, trojans e diversos tipos de malwares. Podemos dizer que uma vulnerabilidade do tipo zero day tem uma espécie de ciclo de vida:

  • A empresa desenvolve e comercializa o software, que possui alguma falha de segurança que não foi detectada na fase de teste;
  • Um hacker  mal-intencionado descobre esse erro e começa a explorá-lo antes que o desenvolvedor do programa o encontre ou aplique alguma correção;
  • A falha se torna pública ou a empresa descobre sua falha e cria um patch de correção para eliminar a vulnerabilidade;
  • Mesmo quando a empresa cria o patch de correção, até que todos os usuários tenham atualizado seus sistemas, pode ser tarde demais.

A grande questão é que esse intervalo de tempo entre a exploração da falha e sua correção pode ser de várias horas a meses e, enquanto ela não é descoberta, os usuários do programa correm grandes riscos com sua segurança.

“Atualmente, com as mudanças e preocupações relacionadas ao desenvolvimento seguro de softwares, a tendência de falhas de zero-day é cair, porém, o maior problema em si, está na cultura da empresa que não realiza o gerenciamento do ambiente, com ferramentas de análise de vulnerabilidades e aplicação de patchs recorrentes, fazendo com que os ataques não diminuam como mostra a pesquisa da ESET.” – Kaique Santos, Especialista em Cibersegurança da Eco IT.

Indo mais a fundo, Matt Miller, engenheiro de segurança da Microsoft Security Response Center (MSRC), apresenta dados com informações que corroboram a negligência do gerenciamento de segurança que profissionais de TI podem cometer quando deixam de olhar para o ambiente do cliente com olhar mais atencioso. 

“Na pesquisa de Miller, consta como a Microsoft Security Response Center (MSRC) atua no desenvolvimento, descoberta e aplicação de patches nos sistemas da Microsoft, o que garante que sistema mais novos venham mais protegidos, mas sistemas antigos, continuam sendo explorados e infectados por conta de insistência de utilização dos usuários e falta de planejamento das empresas e profissionais de TI.”, complementa Kaique. 

Por isso, dizemos que o usuário é o elo mais fraco dessa corrente, afinal, ele será atacado e, muitas vezes, nem saberá que existe uma vulnerabilidade.

Quais são as consequências de estar vulnerável a um zero day?

Em casos de cair nas vulnerabilidades de zero day, o malware de exploração pode roubar dados do usuário e dar autorizações de controles para outros hackers atuarem no sequestro ou infecção do ambiente. Além disso, outras aplicações podem ser instaladas para corromper arquivos, acessar listas e documentos, enviar spam e roubar informações confidenciais.

Cases

Uma das vulnerabilidades zero day mais famosas do mundo é o Stuxnet, que ganhou até um documentário sobre sua história. Esse foi um worm auto-replicante, altamente infeccioso que interrompeu usinas nucleares iranianas através de brechas do SCADA, desenvolvido pela Siemens, e um dos objetivos era aumentar a aceleração em 40% das centrífugas de enriquecimento de urânio, causando rachaduras e danos às demais.

Outro zero day famoso é o WannaCry, um ataque de ransomware que se espalhou pela rede e criptografou arquivos em mais de 150 países. Mesmo depois de se tornar conhecido, a Microsoft demorou a conseguir lançar a correção para os usuários e nem todos conseguiram se atualizar, em razão de sistemas antigos e que já não recebem mais suporte.

E como é possível remediar situações zero day?

Essencialmente, sabemos a dificuldade de atualizar um parque de máquinas e a integração com novos sistemas. Portanto, para contornar essas situações são essenciais o planejamento, prevenção, investigação e remediação de vetores e vulnerabilidades para que a maior parte do risco seja mitigado com relação a essas falhas de zero-day em sistemas antigos e sem mitigação de exploração.

Planejamento – Levantamento de ativos potencialmente vulneráveis, gestão de riscos cibernéticos e roadmap para possíveis remediações.

Prevenção – Scan de vulnerabilidade, gestão de vulnerabilidade, análise periódica em tempo real de ativos.

Investigação – Análise efetiva dos riscos, correlacionamento com matrizes de quantitativas e qualitativas de risco para o negócio.

Remediação – Correção de vulnerabilidades e aplicação de patchs estáveis para mitigação do risco.

Os pontos citados acima, devem, essencialmente, fazer parte do ciclo de prevenção de ameaças e falhas de zero-day, portanto, este processo deve ser recorrente para um ambiente saudável e mais seguro. Porém lembre-se: jamais haverá 100% de segurança, por isso, a atenção aos processos e métodos que envolvam a mitigação de risco do ambiente é altamente necessário e é responsabilidade do profissional de TI, garantir que isso ocorra na mais perfeita harmonia e segurança possível.

Como se manter protegido?

É difícil dar uma resposta exata e concreta para isso após entender do que se trata esse tipo de falha. Na verdade, não é possível se proteger de um zero day, a menos que você tenha descoberto a vulnerabilidade, o importante é tomar decisões rápidas para sua remediação. Porém, é importante tomar algumas medidas de segurança para evitar que seus dados estejam expostos a vulnerabilidades. Confira algumas dicas:

Mantenha os sistemas atualizados

Esse é um ponto importante para se proteger de qualquer tipo de ataque, afinal, as atualizações dos softwares são carregadas de patchs que corrigem falhas e vulnerabilidades dos sistemasMesmo que pareça uma prática que gaste muito tempo é essencial colocá-la como uma tarefa de segurança, seja nas empresas ou nos dispositivos pessoais. Atualize tudo o que for necessário e não deixe essa tarefa para depois!

Conte com ferramentas de segurança

É importante contar com ferramentas que façam scanners de vulnerabilidade e detectem erros como, por exemplo, o EcoTrust. Por isso, é mais do que necessário ter um bom antivírus, ferramentas de detecção de phishing, antimalware, gerenciamento de senhas, entre outros. 

Tenha apenas o essencial em sua máquina

Quanto mais programas, aplicativos e ferramentas um usuário tem em seus dispositivos, mais eles estarão vulneráveis e expostos a ataques, afinal, cada um desses pode ser uma porta de entrada para crackers através de Zero Day. Tenha apenas o que realmente for necessário e o que você utiliza com frequência, dessa forma, mais fácil se tornará também as atualizações desses programas. Evite também baixar softwares desnecessários e de procedência duvidosa. 

Proteja suas conexões

Outra forma de se expor a falhas é por meio das conexões, que podem ser usadas para a entrada de crackers em sua rede. Não mantenha conexões abertas e determine permissões para acesso a elas. Tenha senhas de acesso, dessa forma, é possível rastrear entradas e identificar problemas. Desative serviços remotos desnecessários e realize configurações de criptografia de rede.

Tenha atenção aos links e anexos

As vulnerabilidades são brechas para entrada de ameaças no sistema e, muitas vezes, entram com  “permissão” do usuário através de links e anexos suspeitos. Tenha cuidado com o que é clicado, seja em sites ou e-mails e verifique sempre a segurança e confiabilidade dos sites.

Conte com serviços de empresas especializadas em segurança

Para os usuários comuns pode ser mais fácil manter em dia as atitudes de segurança, mas para empresas essa tarefa requer mais tempo e especializaçãoSendo assim, contar com serviços de empresas especializadas em segurança pode ser uma boa estratégia para manter a privacidade e integridade dos dados.

Essas terceirizadas estarão sempre por dentro das novidades e atualizações de segurança, desenvolvendo importantes soluções para seu negócio.

Se manter protegido e seguro é essencial para evitar diversas vulnerabilidades existentes no mundo virtual, como o zero day. Entender sobre ele é o primeiro passo para estar mais atento às brechas encontradas nos programas.

O que você já conhecia sobre o zero day? Aproveite que agora você está mais por dentro do tema e conheça mais sobre scan de vulnerabilidades, outra importante ação para a segurança! 


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